Brasileiros rebatem crítica de Jack Endino: resposta de Edu Falaschi na íntegra

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28.01.2013

Recentemente, Edu Falaschi foi entrevistado pelo site G1 da Globo entre alguns outros músicos brasileiros que tiveram sucesso cantando em inglês. Os artistas rebateram as críticas feitas pelo ex-produtor do Nirvana Jack Endino na última quarta-feira (23) a bandas do país que optam pela língua inglesa. Confira a matéria no site G1 da Globo com respostas “editadas”.

Abaixo segue a resposta de Edu Falaschi na íntegra:

“O comentário de Endino é generalizado e de certa forma preconceituoso. Temos sim, no Brasil, bandas que cantam em inglês com sotaque forte, isso é verdade, mas temos outras que não, isso é normal em países que não tem como sua língua nativa o inglês, mas ele deveria saber que outras bandas que se tornaram gigantes mundialmente e que não eram americanas, também tinham um inglês “ruim” aos ouvidos dos Estados Unidenses, por exemplo, o Scorpions, alemão, no início era motivo de piada por causa do sotaque germânico de Klaus Meine, o A-ha, norueguês, cantou em inglês errado “take on me, take me on”, gramaticalmente isso não existe em inglês, nem os Beatles escaparam de piadinhas quando foram a primeira vez aos Estados Unidos, aliás os americanos zoam os Ingleses até hoje por causa do sotaque! Enfim, pra encerrar os exemplos, o próprio Curt Cobain, americano, cantava um inglês tão “arrastado” que nem os próprios entendiam suas palavras!

Em resumo, não existe regra, nem fórmula para o sucesso, pode ser em inglês certo, com sotaque nova-iorquino, ou em inglês errado ou até mesmo em inglês correto com sotaque africano, na música não existe lei, nem fronteiras, mas sim o talento e a estrela de cada artista!

Ele não deveria julgar e muito menos falar o que Brasileiros e qualquer outro povo deve fazer! Cada um faz o que quer e ninguém é obrigado a gostar de nada! O inglês é uma língua universal e devo lembra-lo que não foi o país dele que criou essa língua! Cantar em inglês não me faz menos brasileiro que o Carlinhos Brown e ser brasileiro não me tira o direito de cantar na língua que eu preferir!
Devo alertá-lo de duas coisas, Mr. Endino, primeiro, o inglês me ajudou a vender milhares de cópias de discos pelo planeta com o Angra, nos tornando referência do estilo, no Japão, França, Alemanha, etc. E segundo, a qualidade do Heavy Metal Brasileiro não é exclusividade do Sepultura, que sim, é maravilhoso e tem todos os méritos do mundo, mas o Krisiun é uma das maiores bandas de Death Metal da história e são brasileiros, muitas outras bandas daqui já estão há anos no roteiro internacional.

Mas, de fato, volto a bater nessa tecla, se tivéssemos muito mais bandas brasileiras sendo valorizadas dentro do próprio país, certamente teriam mais chances de ser reconhecidas fora do Brasil, e então, não teríamos mais que nos deparar com opiniões rasas e preconceituosos, como a do Sr. Endino.
Infelizmente o que ocorre hoje aqui é o contrário, tem que fazer sucesso fora primeiro, pra então o Brasil aplaudir e dizer “Se eles de fora falaram que é bom, então tá certo!”

Enquanto isso, fico na torcida para chegar a hora da NWOBHM (New Wave of Brazilian Heavy Metal).”


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